Tuesday, May 19, 2009

Karma em meia imagem

Para quem compreende o Karma, meia imagem basta!


Pense nisto!

Sunday, May 17, 2009

12º FESTIVAL INTERNACIONAL VEGAN

12º FESTIVAL INTERNACIONAL VEGAN
de 22 a 25 de julho, Rio de Janeiro.


http://www.svb.org.br/12veganfestival/index.php?option=com_content&view=article&id=26&Itemid=100002&lang=pt

Palestrantes confirmados

ARGENTINA

* Ana María Aboglio - advogada, Anima

AUSTRÁLIA

* Zalan Glen - organizador do 9o Festival Vegano Internacional, em Victoria, Austrália


BRASIL

* Alan Chaves - chef vegano formado pelo SENAC

* Ana Branco - professora de design - Biochip - PUC-Rio

* Anna Elisa de Castro - chef e terapeuta de sáude integral

* Antônio Cláudio Duarte - professor Dr Adjunto de Clínica Médica da UFRJ

* Augusto Pinto - chefe e proprietário do Goa Gourmet Vegetariano
* Carlos Naconecy - filósofo, autor do livro Ética & Animais: um guia de argumentação filosófica

* Daniel Lourenço - advogado, autor do livro Direito dos Animais: Fundamentos e Novas Perspectivas

* Dennis Zagha Bluwol - geógrafo, ex-coordenador do Grupo São Paulo da SVB

* Eliane Carmanim Lima - socióloga, ativista, criou o Cadastro Veg

* Eric Slywitch - médico nutrólogo, coord. Dep de Medicina e Nutrição da SVB, autor de Alimentação sem Carne

* Fábio de Oliveira - professor da Faculdade de Direito da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ)

* Giti Bond - acunpunturista e colonterapeuta

* Heron Santana Gordilho - professor de Direito Público na UFBA, presidente do IAA

* Laerte Levai - promotor de justiça, autor do livro Direito dos Animais

* Laura Kim Barbosa - ativista, chef

Luís Cláudio Portugal do Nascimento - doutor em educação de artes, professor da USP
* Maria Luiza Branco Nogueira da Silva - médica, projeto Terrapia

* Marly Winckler - socióloga, presidente da Sociedade Vegetariana Brasileira

* Michele Maia - chef, proprietária de bufê vegetariano

* Natália Chede - nutricionista, coordenadora do Dep de Culinária da SVB

* Nina Rosa Jacob - presidente do INR, produtora do DVD A Carne é Fraca e Não Matarás

* Nisargan - médico, instrutor de meditação ao som do didgeridoo

* Paula Brügger - bióloga, autora de Amigo Animal

* Paulo Vassilieff - instrutor de Ioga da Gargalhada

* Rafael Bán Jacobsen - físico, coord do Grupo Porto Alegre da SVB - Porto Alegre

* Rafael Mendonça - jurista, autor de (Trans)Modernidade e Mediação de Conflitos
*

Silvana Andrade - jornalista, diretora da ANDA
*

Sonia T. Felipe - filósofa, autora de Ética e Experimentação Animal
*

Tamara Levai - bióloga, autora de Vítimas da Ciência - Limites éticos da experimentação animal
* Tatiana Cardoso - chef e proprietária do restaurante vegetariano gourmet Moinho de Pedra
*

Tiana Rodrigues - chef, proprietária do restaurante Universo Orgânico
*

Thina Izidoro - Nutricionista, chef, proprietária do restaurante vegano Vegan Vegan
* Trajano Tagore - advogado dos direitos animais, Instituto Abolicionista Animal
*

Vânia Rall Daró - advogada e tradutora. Autora de artigos sobre direitos animais.
* Zé Roberto Machado - chefe e proprietário do restaurante vegetarianoi Caminho do Mar

ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA

* Adriana Lisboa - escritora, autora de Contos populares japoneses

* Alexandra Isfahani-Hammond - professora de literatura luso-brasileira, Universidade da Califórnia, autora de White Negritude: Race, Writing and Brazilian Cultural Identity.

* Melissa Martin - diretora-executiva da Vegetarian Solutions

* Regina Rheda - escritora, autora de Humana Festa.

HOLANDA

* Marianne Thieme - presidente do Partido para os Animais, da Holanda, apresentadora do DVD Meat the Truth: Uma Verdade mais que Inconveniente

* Niko Kofeman - senador pelo Partido dos Animais, presidente da fundação Nicolaas G. Pierson

INGLATERRA

* Brian Jacobs - hipnoterapeuta, diretor da Animal Aid - proprietário do Vegan London

* Gabriel Buist - vegetariano nato, Ordem da Cruz.

IRÃ

* Belal Taheri - biólogo, diretor de Associação Literária, Ahwaz



ITÁLIA

* Riccardo Trespidi - médico - diretor de Science of ethical nutrition (medicina não-violenta)

JAMAICA

* Aris La Tham - chef gourmet da Luz Solar - Sufired Food

NOVA ZELÂNDIA

* Michael Klaper - médico, autor de vários livros sobre veganismo (via skipe)

* Colin Sky - ativista vegano, veganismo global e networking

Thursday, May 14, 2009

Carta à ouvidoria do barra D'or

Há algum tempo atrás, quando estive com meu filho neste hospital. Tive mais sorte, o caso era menos grave, porém eu sei o que tive que brigar e o quanto eu me aborreci. A ponto de não deixá-lo, em momento algum sozinho, porque os responsáveis pela emergência eram todos, a meu ver, displicentes. O técnico de enfermagem citado no relato da mãe, deve ser o mesmo que disse pro meu filho que, numa crise renal aguda, agüenta porque não tem o que fazer. “Tem que parar de chorar e ser homem”.
É gente! A constatação que fiz foi exatamente esta: Nenhum controle. Somente médicos(?) recém-formados, sem experiência. O Barra D’Or é muita maquiagem e só. Hoje eu prefiro ir para um hospital mais feio porém com profissionais competentes ou MENOS despreparados como os que eu encontrei neste hospital particular.
CUIDADO!!!! Divulguem o máximo possível, para providências sejam tomadas. Somente quando pacientes deixarem de ir a este local e doer no bolso dos seus administradores, eles repensarão a contratação de pessoas inexperientes que, por este motivo, devem ser uma mão de obra mais barata.
Esta história me abalou muito, o jovem que morreu tem a idade do meu filho que lá esteve internado, com a diferença de que 45 dias foi a vez do meu filho que GRAÇAS A DEUS, de lá foi removido para outro hospital onde permaneceu internado.
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Nada bom começar a semana com um email desse tipo, mas, como médica e mãe, não posso me omitir em relação ao caso deste paciente.
Geralmente não sou de encaminhar mensagens envolvendo colegas médicos e enfermeiros. Ainda mais um encaminhamento do encaminhamento do encaminhamento....
É que na maioria das vezes não há como saber da veracidade dos fatos ou então estes são um tanto confusos. Só que neste caso aqui, eu conheço uma das pessoas citadas, o Dr. Flavio Malcher, que é nosso amigo e um cirurgião competente e experiente. Infelizmente ele entrou nesta história quase no final. Ele e sua equipe foram acionados muito tarde, quando o quadro do paciente Carlos André já estava num nível de complicação e gravidade sérios demais.
Dessa vez não dá pra deixar passar.
Muitos de vocês moram na Barra e adjacências e eventualmente podem precisar de atendimento hospitalar. Não é só a Saúde Pública que anda mal das pernas. Todos nós estamos sujeitos a este tipo de atendimento. Minha intenção é a melhor e mais justa possível. Fiquem atentos.
abraços,
Stela
Os fatos abaixo ocorridos com uma amiga minha, que culminaram com a morte de seu filho, Carlos André, mostram o descaso e o despreparo de alguns médicos, talvez por inexperiência (todos são recém-formados), à exceção do Dr. Flavio Malcher, chamado possivelmente depois que souberam que o paciente era sobrinho do ministro do supremo Marco Aurélio de Melo, o que na carta náo foi em momento nenhum mencionado pela mãe, e que ainda estava acompanhada de seu irmão que é cardiologista! Imagine o que não ocorre quando se é um "zé ninguem", que busca atendimento num Hospital privado, dito de primeiro mundo! Eu mesmo passei por isso por duas vezes no ano passado quando minha esteve internada em um CTI também de Hospital privado; não estivesse eu presente e ela já estaria morta: os monitores disparam seus alarmes sem parar, pacientes tem seus respiradores desconectados, bombas de infusão alarmam sem cessar, paciente clamam por ajuda e os auxiliares de enfermagem ficam olhando, conversando como se nada estivesse ocorrendo, e quando eu, médico, decidi falar com um "colega" bem mais jovem que eu, que era o responsável pelo plantão, este me tratou como se eu fosse acadêmico e ele um Nobel da Medicina; na UTI ninguém vê nada, pacientes não lembram de nada pois os benzodiazepínicos não deixam, quando relatam algo aos familiares, os auxiliares de enfermagem dizem que "as escórias nitrogenadas estão altas e ele estava delirando"!!!!! Falta vergonha e falta de humanidade. Eu se fosse Nicinha, a mãe do Carlos André que veio a falecer, levava o processo a fundo,ainda mais sendo irmã de quem é.
abraço
Salgado
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À Ouvidoria do Hospital Barra D'or
A/C - Sr. CAIO MENDONÇA
Assunto: Referente ao paciente CARLOS ANDRÉ MENDES DE MELO MOURA
Data de nascimento: 09/03/76
Data de entrada: 15/01/09
Data de saída, MORTO : 25/01/2009
MAIS DO QUE UM GRITO DE ALERTA, ESTE É UM GRITO DE DOR.
Há exatamente dois meses, perdi meu filho Carlos André vitimado por uma infecção intestinal, sim, mas também morto pela negligência e descaso de alguns médicos e membros da equipe de enfermagem desse hospital.
Ainda não refeita da dor pela perda irreparável do um filho, venho por meio dessa carta denunciar o descaso com que vidas e mais vidas estão sendo perdidas nessa unidade que, há bom pouco tempo, era um centro de referência médica na Barra da Tijuca.
Refiro a vidas e mais vidas perdidas, porque resido na Barra da tijuca e no meio social em que vivo, ao relatar o caso do meu filho Carlos André, estarrecida, constato que muitas pessoas tiveram em suas próprias famílias ou conhecidos, casos de falecimentos ocasionados pelo mal, negligente e irresponsável atendimento prestado por essa unidade de saúde.
Resumo dos Fatos:
- Entrada no Hospital Barra dia 15.01.09, por volta das 19hs
- Feita a triagem, meu filho foi posto no soro, recebeu remédio para dor, pois estava com constipação intestinal e fortíssimas dores abdominais.
- Colheram o sangue e urina para exames
- Decorrida mais ou menos 1h, tornaram a recolher sangue novamente, porque a primeira coleta havia sido extraviada.
- Somente 3hs depois da nossa chegada, após eu haver feito várias reclamações na recepção é que encaminharam Carlos André para realizar uma tomografia abdominal. A assistência social declarou que o hospital só tinha dois tomógrafos e que os pacientes mais graves tinham prioridade. E o meu filho, não era grave? Ele precisava desmaiar de dor para ser atendido? Exijo explicações.
- Feita a tomografia, quando o Sr. Paulo José, digo isso porque essa pessoa não se qualifica para usar o título de Doutor, informou a mim e ao meu irmão, que também é médico, que Carlos André apresentava líquido no abdômen, sem visualizar nenhum tumor, declarou: "Não estou muito eufórico para abrir a barriga dele não"
- A seguir meu filho foi encaminhado para um leito da emergência, onde ficou com soro, sentindo muita dor. Com o passar das horas, seu abdômen foi distendendo mais e mais.
- Perto da meia noite, chamei o Sr. Paulo José para vê-lo e este Senhor, displicentemente, apalpou a barriga do meu filho e disse que iria pedir mais remédio para dor, que demorou demais para vir.
- Antes das 2hs da madrugada, subi para assinar os papéis da internação (Bradesco Saúde).
- Quando desci ao encontro do meu filho, que se contorcia de dor, observei que a pressão dele estava 7:55 - 5:50. Chamei novamente o Sr. Paulo José. Os médicos que estavam com ele (um calvo também chamado Paulo e um outro, que eu não sei o nome), riam ,caçoando dele, considerando que eu estava atenta o tempo todo e exigia atenção ao estado do meu ilho, que estava se agravando.
- É importante frisar que quem deveria também estar atenta, vigilante ao meu filho - único paciente na emergência àquela hora - era a Dra. Carol, que também não estava se sentindo bem (?).
- A seguir, meu filho teve ânsias de vômito. Chamei o técnico de enfermagem Thiago, que estava há 45min falando ao telefone fixo no balcão da sala de vidro,ao lado da sala de vidro, onde estavam os 4 "médicos."
- Não deu tempo do auxiliar de enfermagem desligar o telefone e atender meu filho que vomitou em si próprio, na cama e no chão.
- O cheiro do vômito era insuportável. Já era MATÉRIA FECAL e eu não sabia. O próprio Auxiliar de Enfermagem disse para mim - "Não tem cheiro de vômito".
- Pedi para o auxiliar chamar um dos QUATRO "médicos" que estavam de plantão naquela madrugada (16.01.09). O auxiliar não chamou.
-Colheu mais um pouco de vômito, que meu filho continuava a expelir, em uma vasilha de inox, que eu pensei que seria mostrada aos "médicos", e despejou no vaso sanitário, dando descarga.
- Diante daquele absurdo e da inércia daqueles 4 "médicos" (Dra. Carol continuava se sentindo mal) eu desabafei com o técnico de enfermagem que "apareceu". Desabafei dizendo que era impossível tudo aquilo estar acontecendo a menos de 2m da sala de vidro e nenhum dos médicos se dignar a socorrer o meu filho.
ESTE FOI O PRIMEIRO EPISÓDIO DE VÔMITO FECAL. Antes, o abdômen estava superdistendido e NINGUÉM determinou que fosse passada a SONDANASOGÁSTRICA.
Começava a viagem do meu filho para a morte.
-Fomos para o CTI 1 (por volta das 2hs da madrugada), recebidos pelo Dr. Leonardo Diamante que continuou fazendo a coleta de sangue.
- Decorrido algum tempo, 02 enfermeiras tentaram passar a sonda nasogástrica e não conseguiram. O médico deveria ter sido avisado - NÃO FOI.
- Perto de 8hs, calculo eu, na troca do plantão da enfermagem, o enfermeiro ou o auxiliar de enfermagem Anderson conseguiu passar a sonda, que a esta altura, provocou um vômito mais fétido do que o primeiro ocorrido na emergência.
- Neste instante, apareceu certa Dra. Alessandra, que falou em "traqueo" e finalmente determinou que meu filho fosse "entubado", pois já estava com a "respiração descompassada".
__ESTE FOI O SEGUNDO EPISÓDIO DE VÔMITO FECAL
- Pediram para eu me retirar, me retirei. Antes de sair, disse ao meu filho: - "Fique firme, a mãe está ali fora", apertei bem a sua mão e saí.
- Carlos André bronco aspirou matéria fecal.
- Foi entubado.
-Horas depois, Dr. Marcelo comunicou a mim e a minha filha que o Carlos André estava muito mal, que morreria se não fosse operado mas que também corria risco de morrer durante a cirurgia.
- Ao final da tarde foi operado pela equipe do Dr. Flávio Malcher, já em choque séptico.
- O Dr. Flávio Malcher colocou a mim e à minha família a par da SERIEDADE do estado do meu filho, mencionando os dois episódios de vômito fecal. Eu o interrompi e declarei que o primeiro "episódio" de VÔMITO FECAL foi na emergência e não fizeram NADA.
- Relembrei ao chefe da equipe de cirurgia, da qual o Sr. Paulo José faz parte, que esse senhor havia dito horas antes, repito, que não estava " EUFÓRICO" para abrir a barriga do meu filho.
E agora, faria parte da equipe quando não foi capaz de tomar as medidas urgentes e necessárias no leito de emergência?
- Verifiquem o plantão e as entradas e saídas dos leitos da emergência. CARLOS ANDRÉ era o único paciente por volta daquela hora crucial e nenhum "DOUTOR" fez NADA. Só conversavam animadamente !
- Com a cirurgia realizada em condições seríssimas, continuava a ser traçado o fim da vida do meu amado filho.
- Permaneci diariamente com o meu filho, acompanhando no CTI sua "Via Crucis", durante dez dias. Depois, desespero e fim.
Tudo isso dito, resta evidenciar:
- Meu respeito e gratidão aos médicos Leonardo Diamante, Marcelo e Gustavo e às operadoras das máquinas de hemodiálise (sempre atentas)-
- Repudio a atuação da equipe de enfermagem que tagarelava ao verificar os aparelhos ligados ao meu filho;
Não efetuava a troca do curativo, no tempo das 12hs do plantão,deixando cada qual a tarefa para o plantão seguinte;
Não observavam quando o sangue parava de correr;
Não agilizavam a chegada do gelo que deveria vir da copa (?) e enquato isso meu filho ardia em febre;
Não posicionavam a sonda gástrica corretamente( pós cirurgia) permitndi assim, que um líquido verde escorresse pelo canto da boca do meu filho, sujando e contaminando a gaze da traqueostomia;
Diante de tudo isso eu solicitava providências que só vinham a ser tomadas nos plantões seguintes, portanto tardias e inoperantes.
- No dia 24/01 saí do hospital completamente arrasada porque vi meu filho inteiramente indefeso diante de tanto descaso.
Enfim, no dia 25 de Janeiro, Domingo, meu filho partiu e eu fiquei envolta em dor.
E é esse grito de dor que hoje , dois meses depois, eu quero fazer ecoar bem alto para que os responsáveis por sua morte sejam localizados e efetivamente punidos.
- Chega de omissões.
- Chega de equipes jovens demais.
- Chega de equipes sobrecarregadas ( enfermagem) com plantões subumanos, cumulados com o de outros hospitais.
Solicito os exames de tomografia, histopatológico do material retirado do abdômen e cópia dos prontuários.
Eu não perdi uma ilusão mental, nem tive fracasso em um negócio.
Eu perdi um filho, vítima da incompetência e da desumanidade de alguns profissionais que deveriam honrar a profissão que escolheram.
Peço e aguardo as providências cabíveis.
Eunice Mendes de Melo Moura
Rio de Janeiro, 25 de março de 2009

Tuesday, May 05, 2009

Coisas da Política - A gripe dos porcos e a mentira dos homens

O governo do México e a agroindústria procuram desmentir o óbvio: a gripe que assusta o mundo se iniciou em La Glória, distrito de Perote, a 10 quilômetros da criação de porcos das Granjas Carroll, subsidiária de poderosa multinacional do ramo, a Smithfield Foods. La Glória é uma das mais pobres povoações do país. O primeiro a contrair a enfermidade (o paciente zero, de acordo com a linguagem médica) foi o menino Edgar Hernández, de 4 anos, que conseguiu sobreviver depois de medicado. Provavelmente seu organismo tenha servido de plataforma para a combinação genética que tornaria o vírus mais poderoso. Uma gripe estranha já havia sido constatada em La Glória, em dezembro do ano passado e, em março, passou a disseminar-se rapidamente.
Os moradores de La Glória – alguns deles trabalhadores da Carroll – não têm dúvida: a fonte da enfermidade é o criatório de porcos, que produz quase 1 milhão de animais por ano. Segundo as informações, as fezes e a urina dos animais são depositadas em tanques de oxidação, a céu aberto, sobre cuja superfície densas nuvens de moscas se reproduzem. A indústria tornou infernal a vida dos moradores de La Glória, que, situados em nível inferior na encosta da serra, recebem as águas poluídas nos riachos e lençóis freáticos. A contaminação do subsolo pelos tanques já foi denunciada às autoridades, por uma agente municipal de saúde, Bertha Crisóstomo, ainda em fevereiro, quando começaram a surgir casos de gripe e diarreia na comunidade, mas de nada adiantou. Segundo o deputado Atanásio Duran, as Granjas Carroll haviam sido expulsas da Virgínia e da Carolina do Norte por danos ambientais. Dentro das normas do Nafta, puderam transferir-se, em 1994, para Perote, com o apoio do governo mexicano. Pelo tratado, a empresa norte-americana não está sujeita ao controle das autoridades do país. É o drama dos países dominados pelo neoliberalismo: sempre aceitam a podridão que mata.
O episódio conduz a algumas reflexões sobre o sistema agroindustrial moderno. Como a finalidade das empresas é o lucro, todas as suas operações, incluídas as de natureza política, se subordinam a essa razão. A concentração da indústria de alimentos, com a criação e o abate de animais em grande escala, mesmo quando acompanhada de todos os cuidados, é ameaça permanente aos trabalhadores e aos vizinhos. A criação em pequena escala – no nível da exploração familiar – tem, entre outras vantagens, a de limitar os possíveis casos de enfermidade, com a eliminação imediata do foco.
Os animais são alimentados com rações que levam 17% de farinha de peixe, conforme a Organic Consumers Association, dos Estados Unidos, embora os porcos não comam peixe na natureza. De acordo com outras fontes, os animais são vacinados, tratados preventivamente com antibióticos e antivirais, submetidos a hormônios e mutações genéticas, o que também explica sua resistência a alguns agentes infecciosos. Assim sendo, tornam-se hospedeiros que podem transmitir os vírus aos seres humanos, como ocorreu no México, segundo supõem as autoridades sanitárias.
As Granjas Carroll – como ocorre em outras latitudes e com empresas de todos os tipos – mantêm uma fundação social na região, em que aplicam parcela ínfima de seus lucros. É o imposto da hipocrisia. Assim, esses capitalistas engambelam a opinião pública e neutralizam a oposição da comunidade. A ação social deve ser do Estado, custeada com os recursos tributários justos. O que tem ocorrido é o contrário disso: os estados subsidiam grandes empresas, e estas atribuem migalhas à mal chamada "ação social". Quando acusadas de violar as leis, as empresas se justificam – como ocorre, no Brasil, com a Daslu – argumentando que custeiam os estudos de uma dezena de crianças, distribuem uma centena de cestas básicas e mantêm uma quadra de vôlei nas vizinhanças.
O governo mexicano pressionou, e a Organização Mundial de Saúde concordou em mudar o nome da gripe suína para Gripe-A. Ao retirar o adjetivo que identificava sua etiologia, ocultou a informação a que os povos têm direito. A doença foi diagnosticada em um menino de La Glória, ao lado das águas infectadas pelas Granjas Carroll, empresa norte-americana criadora de porcos, e no exame se encontrou a cepa da gripe suína. O resto, pelo que se sabe até agora, é o conluio entre o governo conservador do México e as Granjas Carroll – com a cumplicidade da OMS.