Há algum tempo atrás, quando estive com meu filho neste hospital. Tive mais sorte, o caso era menos grave, porém eu sei o que tive que brigar e o quanto eu me aborreci. A ponto de não deixá-lo, em momento algum sozinho, porque os responsáveis pela emergência eram todos, a meu ver, displicentes. O técnico de enfermagem citado no relato da mãe, deve ser o mesmo que disse pro meu filho que, numa crise renal aguda, agüenta porque não tem o que fazer. “Tem que parar de chorar e ser homem”.
É gente! A constatação que fiz foi exatamente esta: Nenhum controle. Somente médicos(?) recém-formados, sem experiência. O Barra D’Or é muita maquiagem e só. Hoje eu prefiro ir para um hospital mais feio porém com profissionais competentes ou MENOS despreparados como os que eu encontrei neste hospital particular.
CUIDADO!!!! Divulguem o máximo possível, para providências sejam tomadas. Somente quando pacientes deixarem de ir a este local e doer no bolso dos seus administradores, eles repensarão a contratação de pessoas inexperientes que, por este motivo, devem ser uma mão de obra mais barata.
Esta história me abalou muito, o jovem que morreu tem a idade do meu filho que lá esteve internado, com a diferença de que 45 dias foi a vez do meu filho que GRAÇAS A DEUS, de lá foi removido para outro hospital onde permaneceu internado.
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Nada bom começar a semana com um email desse tipo, mas, como médica e mãe, não posso me omitir em relação ao caso deste paciente.
Geralmente não sou de encaminhar mensagens envolvendo colegas médicos e enfermeiros. Ainda mais um encaminhamento do encaminhamento do encaminhamento....
É que na maioria das vezes não há como saber da veracidade dos fatos ou então estes são um tanto confusos. Só que neste caso aqui, eu conheço uma das pessoas citadas, o Dr. Flavio Malcher, que é nosso amigo e um cirurgião competente e experiente. Infelizmente ele entrou nesta história quase no final. Ele e sua equipe foram acionados muito tarde, quando o quadro do paciente Carlos André já estava num nível de complicação e gravidade sérios demais.
Dessa vez não dá pra deixar passar.
Muitos de vocês moram na Barra e adjacências e eventualmente podem precisar de atendimento hospitalar. Não é só a Saúde Pública que anda mal das pernas. Todos nós estamos sujeitos a este tipo de atendimento. Minha intenção é a melhor e mais justa possível. Fiquem atentos.
abraços,
Stela
Os fatos abaixo ocorridos com uma amiga minha, que culminaram com a morte de seu filho, Carlos André, mostram o descaso e o despreparo de alguns médicos, talvez por inexperiência (todos são recém-formados), à exceção do Dr. Flavio Malcher, chamado possivelmente depois que souberam que o paciente era sobrinho do ministro do supremo Marco Aurélio de Melo, o que na carta náo foi em momento nenhum mencionado pela mãe, e que ainda estava acompanhada de seu irmão que é cardiologista! Imagine o que não ocorre quando se é um "zé ninguem", que busca atendimento num Hospital privado, dito de primeiro mundo! Eu mesmo passei por isso por duas vezes no ano passado quando minha esteve internada em um CTI também de Hospital privado; não estivesse eu presente e ela já estaria morta: os monitores disparam seus alarmes sem parar, pacientes tem seus respiradores desconectados, bombas de infusão alarmam sem cessar, paciente clamam por ajuda e os auxiliares de enfermagem ficam olhando, conversando como se nada estivesse ocorrendo, e quando eu, médico, decidi falar com um "colega" bem mais jovem que eu, que era o responsável pelo plantão, este me tratou como se eu fosse acadêmico e ele um Nobel da Medicina; na UTI ninguém vê nada, pacientes não lembram de nada pois os benzodiazepínicos não deixam, quando relatam algo aos familiares, os auxiliares de enfermagem dizem que "as escórias nitrogenadas estão altas e ele estava delirando"!!!!! Falta vergonha e falta de humanidade. Eu se fosse Nicinha, a mãe do Carlos André que veio a falecer, levava o processo a fundo,ainda mais sendo irmã de quem é.
abraço
Salgado
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À Ouvidoria do Hospital Barra D'or
A/C - Sr. CAIO MENDONÇA
Assunto: Referente ao paciente CARLOS ANDRÉ MENDES DE MELO MOURA
Data de nascimento: 09/03/76
Data de entrada: 15/01/09
Data de saída, MORTO : 25/01/2009
MAIS DO QUE UM GRITO DE ALERTA, ESTE É UM GRITO DE DOR.
Há exatamente dois meses, perdi meu filho Carlos André vitimado por uma infecção intestinal, sim, mas também morto pela negligência e descaso de alguns médicos e membros da equipe de enfermagem desse hospital.
Ainda não refeita da dor pela perda irreparável do um filho, venho por meio dessa carta denunciar o descaso com que vidas e mais vidas estão sendo perdidas nessa unidade que, há bom pouco tempo, era um centro de referência médica na Barra da Tijuca.
Refiro a vidas e mais vidas perdidas, porque resido na Barra da tijuca e no meio social em que vivo, ao relatar o caso do meu filho Carlos André, estarrecida, constato que muitas pessoas tiveram em suas próprias famílias ou conhecidos, casos de falecimentos ocasionados pelo mal, negligente e irresponsável atendimento prestado por essa unidade de saúde.
Resumo dos Fatos:
- Entrada no Hospital Barra dia 15.01.09, por volta das 19hs
- Feita a triagem, meu filho foi posto no soro, recebeu remédio para dor, pois estava com constipação intestinal e fortíssimas dores abdominais.
- Colheram o sangue e urina para exames
- Decorrida mais ou menos 1h, tornaram a recolher sangue novamente, porque a primeira coleta havia sido extraviada.
- Somente 3hs depois da nossa chegada, após eu haver feito várias reclamações na recepção é que encaminharam Carlos André para realizar uma tomografia abdominal. A assistência social declarou que o hospital só tinha dois tomógrafos e que os pacientes mais graves tinham prioridade. E o meu filho, não era grave? Ele precisava desmaiar de dor para ser atendido? Exijo explicações.
- Feita a tomografia, quando o Sr. Paulo José, digo isso porque essa pessoa não se qualifica para usar o título de Doutor, informou a mim e ao meu irmão, que também é médico, que Carlos André apresentava líquido no abdômen, sem visualizar nenhum tumor, declarou: "Não estou muito eufórico para abrir a barriga dele não"
- A seguir meu filho foi encaminhado para um leito da emergência, onde ficou com soro, sentindo muita dor. Com o passar das horas, seu abdômen foi distendendo mais e mais.
- Perto da meia noite, chamei o Sr. Paulo José para vê-lo e este Senhor, displicentemente, apalpou a barriga do meu filho e disse que iria pedir mais remédio para dor, que demorou demais para vir.
- Antes das 2hs da madrugada, subi para assinar os papéis da internação (Bradesco Saúde).
- Quando desci ao encontro do meu filho, que se contorcia de dor, observei que a pressão dele estava 7:55 - 5:50. Chamei novamente o Sr. Paulo José. Os médicos que estavam com ele (um calvo também chamado Paulo e um outro, que eu não sei o nome), riam ,caçoando dele, considerando que eu estava atenta o tempo todo e exigia atenção ao estado do meu ilho, que estava se agravando.
- É importante frisar que quem deveria também estar atenta, vigilante ao meu filho - único paciente na emergência àquela hora - era a Dra. Carol, que também não estava se sentindo bem (?).
- A seguir, meu filho teve ânsias de vômito. Chamei o técnico de enfermagem Thiago, que estava há 45min falando ao telefone fixo no balcão da sala de vidro,ao lado da sala de vidro, onde estavam os 4 "médicos."
- Não deu tempo do auxiliar de enfermagem desligar o telefone e atender meu filho que vomitou em si próprio, na cama e no chão.
- O cheiro do vômito era insuportável. Já era MATÉRIA FECAL e eu não sabia. O próprio Auxiliar de Enfermagem disse para mim - "Não tem cheiro de vômito".
- Pedi para o auxiliar chamar um dos QUATRO "médicos" que estavam de plantão naquela madrugada (16.01.09). O auxiliar não chamou.
-Colheu mais um pouco de vômito, que meu filho continuava a expelir, em uma vasilha de inox, que eu pensei que seria mostrada aos "médicos", e despejou no vaso sanitário, dando descarga.
- Diante daquele absurdo e da inércia daqueles 4 "médicos" (Dra. Carol continuava se sentindo mal) eu desabafei com o técnico de enfermagem que "apareceu". Desabafei dizendo que era impossível tudo aquilo estar acontecendo a menos de 2m da sala de vidro e nenhum dos médicos se dignar a socorrer o meu filho.
ESTE FOI O PRIMEIRO EPISÓDIO DE VÔMITO FECAL. Antes, o abdômen estava superdistendido e NINGUÉM determinou que fosse passada a SONDANASOGÁSTRICA.
Começava a viagem do meu filho para a morte.
-Fomos para o CTI 1 (por volta das 2hs da madrugada), recebidos pelo Dr. Leonardo Diamante que continuou fazendo a coleta de sangue.
- Decorrido algum tempo, 02 enfermeiras tentaram passar a sonda nasogástrica e não conseguiram. O médico deveria ter sido avisado - NÃO FOI.
- Perto de 8hs, calculo eu, na troca do plantão da enfermagem, o enfermeiro ou o auxiliar de enfermagem Anderson conseguiu passar a sonda, que a esta altura, provocou um vômito mais fétido do que o primeiro ocorrido na emergência.
- Neste instante, apareceu certa Dra. Alessandra, que falou em "traqueo" e finalmente determinou que meu filho fosse "entubado", pois já estava com a "respiração descompassada".
__ESTE FOI O SEGUNDO EPISÓDIO DE VÔMITO FECAL
- Pediram para eu me retirar, me retirei. Antes de sair, disse ao meu filho: - "Fique firme, a mãe está ali fora", apertei bem a sua mão e saí.
- Carlos André bronco aspirou matéria fecal.
- Foi entubado.
-Horas depois, Dr. Marcelo comunicou a mim e a minha filha que o Carlos André estava muito mal, que morreria se não fosse operado mas que também corria risco de morrer durante a cirurgia.
- Ao final da tarde foi operado pela equipe do Dr. Flávio Malcher, já em choque séptico.
- O Dr. Flávio Malcher colocou a mim e à minha família a par da SERIEDADE do estado do meu filho, mencionando os dois episódios de vômito fecal. Eu o interrompi e declarei que o primeiro "episódio" de VÔMITO FECAL foi na emergência e não fizeram NADA.
- Relembrei ao chefe da equipe de cirurgia, da qual o Sr. Paulo José faz parte, que esse senhor havia dito horas antes, repito, que não estava " EUFÓRICO" para abrir a barriga do meu filho.
E agora, faria parte da equipe quando não foi capaz de tomar as medidas urgentes e necessárias no leito de emergência?
- Verifiquem o plantão e as entradas e saídas dos leitos da emergência. CARLOS ANDRÉ era o único paciente por volta daquela hora crucial e nenhum "DOUTOR" fez NADA. Só conversavam animadamente !
- Com a cirurgia realizada em condições seríssimas, continuava a ser traçado o fim da vida do meu amado filho.
- Permaneci diariamente com o meu filho, acompanhando no CTI sua "Via Crucis", durante dez dias. Depois, desespero e fim.
Tudo isso dito, resta evidenciar:
- Meu respeito e gratidão aos médicos Leonardo Diamante, Marcelo e Gustavo e às operadoras das máquinas de hemodiálise (sempre atentas)-
- Repudio a atuação da equipe de enfermagem que tagarelava ao verificar os aparelhos ligados ao meu filho;
Não efetuava a troca do curativo, no tempo das 12hs do plantão,deixando cada qual a tarefa para o plantão seguinte;
Não observavam quando o sangue parava de correr;
Não agilizavam a chegada do gelo que deveria vir da copa (?) e enquato isso meu filho ardia em febre;
Não posicionavam a sonda gástrica corretamente( pós cirurgia) permitndi assim, que um líquido verde escorresse pelo canto da boca do meu filho, sujando e contaminando a gaze da traqueostomia;
Diante de tudo isso eu solicitava providências que só vinham a ser tomadas nos plantões seguintes, portanto tardias e inoperantes.
- No dia 24/01 saí do hospital completamente arrasada porque vi meu filho inteiramente indefeso diante de tanto descaso.
Enfim, no dia 25 de Janeiro, Domingo, meu filho partiu e eu fiquei envolta em dor.
E é esse grito de dor que hoje , dois meses depois, eu quero fazer ecoar bem alto para que os responsáveis por sua morte sejam localizados e efetivamente punidos.
- Chega de omissões.
- Chega de equipes jovens demais.
- Chega de equipes sobrecarregadas ( enfermagem) com plantões subumanos, cumulados com o de outros hospitais.
Solicito os exames de tomografia, histopatológico do material retirado do abdômen e cópia dos prontuários.
Eu não perdi uma ilusão mental, nem tive fracasso em um negócio.
Eu perdi um filho, vítima da incompetência e da desumanidade de alguns profissionais que deveriam honrar a profissão que escolheram.
Peço e aguardo as providências cabíveis.
Eunice Mendes de Melo Moura
Rio de Janeiro, 25 de março de 2009